Há marcas que vendem produtos. E há marcas que vendem um mundo inteiro. A Heimat Atlantica é, definitivamente, das segundas e da mais especiais.
Quando ouvi falar dela pela primeira vez, fiquei presa naquele nome que nos leva a questionar que significa e efectivamente, Heimat significa "lar" em alemão, Atlantica evoca exactamente o que imaginamos. Um lar à beira do Atlântico. E é precisamente isso que a marca representa: um regresso às origens, às mãos das mulheres que ao longo de gerações teceram vime e cabedal nas costas do norte de Portugal e da Galiza. Que para quem nos últimos 4 anos vive entre Lisboa e Madrid, se torna ainda mais especial.
Como nasceu a marca? Pelas mãos de Montserrat Alvarez depois de terminar a sua dissertação na Sorbonne — uma designer nascida em Espanha, sediada em Paris, com uma ideia muito clara: criar uma marca 100% feita na Europa, que preservasse e transformasse técnicas artesanais específicas da costa atlântica. O projecto arrancou em 2016 e rapidamente chamou a atenção de quem sabe reconhecer algo genuíno.
As malas são feitas em vime trançado à mão, com padrões vivos e estruturados, forradas com cabedal espanhol macio. Cada peça é um objecto de design, mas também um gesto cultural — um arquivo vivo de um saber-fazer que poderia ter desaparecido.
Cada mala demora cerca de 36 horas a ser concluída - numa era de fast fashion e entregas em 24 horas, alguém está algures na costa atlântica a tecer durante dia e meio para criar um único objecto. É quase um acto de resistência e que dá que pensar.
E depois há os talismãs. Cada mala é adornada com fetiches de porcelana da Sargadelos — uma oficina com séculos de história na Galiza —peças que se acredita terem poderes únicos: proteger a riqueza, afastar o mau-olhado ou ajudar a encontrar o amor. Realismo mágico transformado em acessório de luxo.
Porque é que isto importa agora
Vivemos num momento em que o consumidor consciente procura exactamente isto: saber de onde vem o que compra, quem o fez, e o que significa. A Heimat Atlantica é, acima de tudo, um projecto sobre tecer a tradição na modernidade, através da história da arte, do design e da colagem entre convenções e tempo.
Não é só uma mala bonita. É um manifesto.
E numa altura em que tudo é rápido, descartável e igual, há qualquer coisa de profundamente reconfortante em segurar um objecto que demorou 36 horas a nascer — e que carrega dentro de si o trabalho de mulheres que nunca vão aparecer numa campanha, mas cujas mãos estão ali, em cada ponto, em cada detalhe e acima de tudo que cada mala é única.
Neste momento estão disponíveis em alguns pontos de venda ou online, no site próprio da marca - https://heimat-atlantica.com/
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